20 March 2014

Stunning Carolina Engman


Women in black are always dangerous, and delicate.




Photos: Fashion Squad

Lover, you should've come over

[Because] Sometimes a man must awake to find he [really] has no one

Jamie Cullum - Lover, you should have come over


19 March 2014

"O que nos resguarda é o peito da outra pessoa"

[Uma passagem deliciosa escolhida pela Mafalda aqui.]

(...) alguém que porventura não vemos e que nos resguarda as costas com o peito, que está prestes a roçar em nós e acaba sempre por fazê-lo, e às vezes, inclusive, essa pessoa põe-nos uma mão no ombro, por meio da qual nos tranquiliza e também nos agarra. Assim dorme, ou está convencida de que dorme, a maioria dos casais e namorados, os dois voltam-se para o mesmo lado quando se dão as boas-noites, de modo que um passa a noite inteira de costas voltadas para o outro e sabe que está amparado por ele ou ela, por esse outro, e, a meio da noite, ao acordar sobressaltado por um pesadelo ou sentindo-se incapaz de conciliar o sono, ao ser acometido por uma febre ou julgar-se sozinho, abandonado e às escuras, basta-lhe dar meia-volta e ver então, à sua frente o rosto daquele que o resguarda, que se deixará beijar em tudo o que no rosto for beijável (nariz, olhos e boca; queixo, testa e faces) ou quem sabe, meio adormecido, lhe pousará uma mão no ombro para o tranquilizar, ou para o agarrar, ou talvez para se segurar a si próprio.

Javier Marías, in Coração tão branco

17 March 2014

I'm afraid it won't...


"I think part of the reason why we hold on to something so tight is because we fear something so great won't happen twice."

16 March 2014

Le Week-End

I haven't watched as much movies as I'd like lately, actually very few of them. (Blame it on work!) 
I read something about Le Week-End the other day and, as it happens with every good movie I think it will be, I started to feel anxious about watching it; well, the week passed but this morning I made it.
I don't know if it was Paris (here), or the grace, class and elegance of Lindsay Duncan (Paris suited her perfectly!), or the soundtrack (you always get me with jazz!) or the script, but, as expected - I wasn't anxious for nothing -, this is one of my kind of movies.
The final scene is priceless!

 

Pela janela...

Entra-me tudo pela janela: o Sol, a luz, o mar, o ar quente/fresco dos dias de Março e até o Coltrane.
Tudo junto, torna difícil a vontade de sair de casa, apesar de saber que lá fora se está igualmente bem. Tudo junto, é o que faz estes raros momentos tão preciosos e demasiado bons para serem verdade.

My Favorite Things - John Coltrane



15 March 2014

When the BELL rings

Life has been good to me and I've been good dealing with life, that is.

Freedom - Django Unchained






Cabo Mondego.

11 March 2014

Virtual getaways

The weather it's been incredibly good these last days, I even went a little bit crazy and wore a t-shirt during the weekend which cost me a flu (of course!).
There's something inexplicable about waking up (literally) for this sun shining days after 3 months of severe winter (as much as I love it, I could see myself being mentally stressed for Spring, I admit) (hey, but hey, I still live in sunny Portugal, not that I can complain that much I know!).
So, with that said, I thought I'd share this country cottage in Australia with which I felt in love today!

This lovely cottage in Australia belongs to interior designer and stylist Kali Cavanagh. She lovingly restored the neglected 1860s cottage into a tranquil getaway set in Victoria’s picturesque countryside. The decor is a seamless mix of old and new, industrial and vintage, with marble and metal contrasted with timber and linen. The lounge room’s large windows frame the surrounds, while the fireplace, country kitchen and many creature comforts make the home a perfect retreat for weekends and holidays.









Source: The Style Files

More from my dream houses here and here.

10 March 2014

Ode à Pateira III


Tenho sempre a ligeira sensação de querer partir.
Não digo que seja para sempre, nem para um lugar específico. Só querer sentir o tédio de chegar a algum lado e querer voltar, olhar para mim numa paisagem diferente em que a podridão alheia tem outro cheiro, um cheiro mais agudo por não ter o filtro do conforto que a casa me dá. Mesmo, eu, em toda a minha existência, nunca ter sabido qual era o meu lugar, se o canto da minha casa de nascença, se o peito onde consegui descansar um dia.
De resto tropeço em muitas situações que me causo só para me sentir mais viva. Faço tantas vezes a mala que nunca mais a tirei de frente da cama, é um hábito, e olhando para ela contorno a felicidade por não lhe saber a meta. Quanto mais longe mais perto, quanto mais perto mais longe do obstáculo.
Criar um caminho infinito, matar aos poucos a ideia da vida que pensei que teria e cada vez aproximar-me da plena desolação de não ter destino. Aumento o cansaço e mutilo o corpo, os membros desencaixam do sítio mas não afrouxam nem morrem sem nunca se terem partido.
É um prazer. E depois do amor, é o prazer que nos torna amáveis.
Quero ficar, eu quero ficar, e por querer ficar muito é que parto tanto. Se me deres a mão e me disseres que vens para me calcar o sonho sou capaz de permanecer entre os teus braços.
Diz-se que o Homem sozinho é um Homem mais puro, concordo desconcordando. Ninguém é puro se o Amor não for real, se a mão que nos puxa não for para o centro da Terra contrariamente ao sentimento de liberdade que só existe se um dia já fomos presos.
Ir.
Sair do lugar para querer voltar ao peito que nos acolhe enquanto dormimos. E quando partir outra vez, talvez parta contigo, porque sei que se voltar, volto desapegada da viagem, só por me teres a mão.

Sara da Costa Oliveira
 

Ode à Pateira I e II, aqui e aqui.

P.S. A lente da máquina estava incrivelmente suja.

9 March 2014

"Este dia da mulher"...

Para quem não sabe a criação do dia da mulher serviu a muitas campanhas de propaganda política, após nos ter sido gentilmente cedido o direito ao voto, pelos homens.

Eu não gosto do dia da mulher por me soar a palmadinhas nas costas.

'Epá és mulher... must be hard... toma lá uma flor à saída do metro e até para o ano'.

Eu não quero flores por ser mulher.
Nem quero celebrar a minha condição como se vivesse num mundo de igualdade plena entre géneros. Não enquanto houver uma única mulher mutilada, vendida, trocada, queimada, escondida atrás de véus de ignorância e de estupidez.

E também não quero a igualdade. Quero ser igual nas nossas diferenças. Sou diferente dos homens, e gosto. No geral o meu corpo é mais franzino, mais leve e delicado. Há dias no mês em que sou mais emocional do que eles, e outros em que não.
E há alturas na vida em que o meu corpo faz o que jamais corpo masculino algum fará. Gerar, parir, amamentar. São diferenças de celebrar e não de separar.

Eu não quero amostras de cremes.
Não quero ter de ser magra, bonita, maquilhada, depilada. Pelo menos quero poder escolher.
Quero que os meus cabelos brancos tenham tanto charme como os deles.
Quero poder gostar de carros e de futebol. E quero que eles gostem de teatro e de dança. Sem que nada mais seja posto em causa.
E, repito, não quero amostras de cremes.

E quero que as crianças cresçam sem modelagens escondidas.
Quero que a minha filha tenha brinquedos destinados a crianças em vez de brinquedos para rapazes ou raparigas, e que brinquedos intelectualmente estimulantes não sejam exclusivamente brinquedos de rapazes.
Quero que tenha ao seu dispor legos que não sejam cor-de-rosa, quebra-cabeças, jogos científicos, maquetes de montar e desmontar. E que ainda assim possa escolher brincar com bonecos e mudar fraldas e ter aspiradores de plástico, se bem o desejar. Mas que escolha na homogeneidade da oferta. Que possa ser o astronauta em vez da princesa à espera de ser salva.

E não me dêem miniaturas de perfumes.
Nem esperem que mude o meu nome se e quando me casar. Os homens não mudam porquê? Porque ainda há resquícios da mulher passar a ser uma coisa sua, e levar o nome dele como um selo ou símbolo de pertença. Isso eu não quero, mas obrigada.

E as diferenças salariais, de lugares de poder, de mulheres na política e na gestão.
E mais gritantes são as leis da paridade, que amplificam as diferenças e a discriminação ao ponto de ser necessária a criação de legislação para colocar as mulheres em postos de decisão.
Ainda há tanto a fazer... A resolver. A desmistificar. Há muito caminho a percorrer antes de se celebrar seja o que for. Bem sei que caminhamos para lá mas, até que cheguemos..

Não me dêem miniaturas de perfumes...
Guardem as amostras de cremes,
Nem me venham com flores à saída do metro.

Rita in Receitas da Avó Bela e outros vôos
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