Nem sempre se pode ter tudo, quantas vezes pedindo isto se alcança aquilo, que esse é o mistério das orações, lançamo-las ao ar com uma intenção que é nossa, mas elas escolhem o seu próprio caminho…
À medida que vamos crescendo, vamos apurando e compreendendo algumas definições por nós próprios, ou assim deve ser... Penso (outra & outra & outra vez) em "elegância", que continua a ser uma das minhas palavras preferidas - prado e alma são outros exemplos; gosto de palavras com vogais, pequeninas, suaves, que me remetem para a essência, coisas "bonitas" e simples.
A minha definição de elegância foi mudando ao longo dos anos, prova disso é este mesmo blog, cuja " the E. word" representa isso mesmo (Elegance). Percebo hoje, pelo menos é assim que está a minha definição da palavra neste momento, que, a quem atribuo o adjectivo de elegante, está muito longe do meu alcance. Tornou-se aliás uma das qualidades que mais aprecio numa pessoa (homem e mulher), principalmente mulheres (por nenhuma razão em especial, excepto que quando penso em Elegância, penso em duas mulheres em particular da minha vida), porque vai mesmo muito para além do que se vê... Dizia eu que penso em duas mulheres que me fascinam desde criança (uma delas foi minha professora primária - já referida aqui) e que só agora percebo porquê. Numa tentativa de a pôr em palavras, diria que é a forma de falar, o tacto, a suavidade, a calma, o sorriso, o saber estar, o saber vestir (sim, também!), o saber falar, a pertinência dos assuntos falados e a sua matéria e perspectiva, a meiguice, o foco no que é importante, a delicadeza, a forma como fumam (!), a entrega aos outros (ambas com uma vida de entrega aos outros), o bom gosto, as mãos, o corpo e os passos de bailarina... e por aí. Estas duas mulheres apresentam-se logo com uma forma de falar muito diferente de todas as outras pessoas e tudo isto "se topa" de longe!...
Como se tudo isto não fosse bastante, uma delas tem agora uma casa de sonho, no meu lugar de sonho. Consegui fotografá-la meia "às escondidas" um destes dias a fazer umas contas, murmurando, muito serena, sozinha, a fumar o seu cigarro, a mirar o seu castelo (que tenho vindo a fotografar e me delicio com todas as evoluções e trabalhos nada invasivos no meio, muito orgânico), muito... elegante.
Creio que foi o sorriso, o sorriso foi quem abriu a porta. Era um sorriso com muita luz lá dentro, apetecia entrar nele, tirar a roupa, ficar nu dentro daquele sorriso. Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
Eugénio de Andrade
17 April 2015
Há que não deixar, por nada, que a Aprendizagem dos outros interfira na nossa.
"How people treat you is their karma, how you treat them is yours"
Talvez melhor que Ir simplesmente, seja Ir sabendo que o Amor me segura a mão.
Aprendi a melhor solidão, para ser agora melhor companhia. Aprendi na boa solidão as melhores escolhas, para saber que mãos aceitar.
Amar é ser luz de quem mais essa luz sente. Viver é aprendê-lo.
Há momentos em que temos, mesmo, de ouvir o nosso corpo e a nossa alma, e respeitarmo-nos incondicionalmente. Esquecer os outros e olhar para nós - sou, hoje, contra tudo e todos, uma séria respeitadora desta filosofia na minha vida.
Em termos práticos, e na minha vida, isto resulta em fazer nada mais do que aquilo que me apetece e preciso. Ser perfeitamente feliz assumindo que estou melhor sozinha do que com planos cheios de horas mundanas só para matar tempo e que há pessoas e coisas que tão somente (já) não me interessam. Foi um longo processo de conhecimento até perceber o que funciona para mim e o que não, e outro processo, não tão longo, de assumir o meu verdadeiro Eu, tantos anos submisso a vontades alheias que eu dei como minhas...
Sou muito boa em cortar elementos da minha vida e mudar planos para meu bel prazer. Este fim-de-semana, 4 dias, foi um deles... Desejei não fazer nada. Tive planos para os 4 dias, para jantar, para café, para isto e para aquilo e nenhum me fez querer mudar a vontade de fazer nada. Sou a minha melhor companhia, que posso fazer? Noutros tempos iria querer fazer tudo e adoraria ver que tinha realmente "imenso" com que me entreter; hoje, porém, renuncio a tudo para ter até a hora do almoço livre para ver um documentário que quero há tempo demais - O Nome das Coisas sobre Sophia de Mello Breyner Andresen - e acabar desfeita em lágrimas.
É para isto que eu vivo, para mim.
Os efeitos secundários da Poesia são tramados, mas a verdade é que, e evocando Edgar Allan Poe, "se um poema nunca te desfez a alma, nunca experimentaste a poesia."
Excerto do documentário relativo à visita de Manuel Alegre a Sophia de Mello Breyner Andresen no hospital:
"A última vez que eu estive com Sophia foi muito pouco antes de ela morrer. Ela não estava deitada, estava sentada, com uma almofada, vestida de branco, estava bonita, estava estranhamente bonita.
Ela ficou a olhar muito séria para mim, eu percebi que ela não me estava a reconhecer e falei-lhe e ela imediatamente disse "Manuel Alegre" e depois disse o nome da minha mulher. E então eles pediram-me para eu dizer uns versos e eu (...) disse-lhe "ia e vinha e a cada coisa que perguntava" e ela disse "que nome tinha?". (...) e depois pediu Camões, e eu "erros meus, má fortuna" e ela foi-me acompanhando mesmo quando as palavras já não lhe saiam muito bem e a partir de certa altura ela dizia só a música do poema, era poesia em estado puro, absolutamente puro e depois aquilo parou porque eu já não fui capaz de continuar... Mas é a última imagem dela, é o ritmo, essa energia, poesia como forma de energia ou de música. Mesmo quando faltavam as palavras ficou a música, ficou essa actuada."
I mean, honestly, from all I've seen and met, few cities seem to me more appealing than this one. I love Lisbon! And I really do.
What happens between me (and cities, in general) and Lisbon isn't new, we have a long standing
relationship given my physical (literally) and soul attraction for this
city (see here & here & here) and I think it is just getting better and better... There is so much to explore that I can get (delightfully) confused - but then again, that's what cities are for, right? It's just that this hustle and bustle works better in some cities than others...
Last year, I had the opportunity to live almost there, in a also too good to be true village nearby (Cascais that is) which allowed me to better discover Lisbon, only contributing for my growing love for this piece of well made urban/human life: the historical center (very rich in history), the Expo'98 area, Belém, local neighbourhoods, markets, associations, etc. Basically, the perimeter of the city is FULL (from N to S, E, O) of places worth visiting.Countless tiny doors I don't really know, but makes me wonder and leave me imagining what might happen behind (the food, drinks, conversations, readings,...). It is a city where everyone fits. If cities would have gender, I'd say Lisbon is like a cool teenager! (Whereas, for example, Paris would be a very female and romantic lady and so on.) Lisbon, and here thanks to some governmental work I guess, it's a tolerant city, open to experiment and experiences.
Take LxFactory for instance, the place I spent more time in during my last visit to attend a friend's exhibition, "a factory of experiences were intervention, thought, production is made
possible. Staging ideas and products in a place belonging to everyone,
for everyone." It was like feeling as fish in water. ;) Pictures to follow.