17 September 2014

O dia indicado para um dos meus poemas preferidos


"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!

"Cântico Negro", José Régio

15 September 2014

Rustic cottage

A whitewashed country cottage on Spain's Costa Brava from artist Pepa Poch.










The September issue

I never felt "la rentrée", or the "back to school", or "the September issue" to be a turning point in my year and thus in my life. January, on the other hand, has always played this role: time to set up new goals or improve old ones - read here. My year is planned from January to December, that's it.
What I feel both in Spring and Fall time though it's just a moment of changing weather, mood, lifestyle; the first to bloom and the second to embrace coziness (needless to say, I choose the last one!)*.
Nonetheless, seems this September has brought some need of changes in my life - cutting hair (trust me, when a woman is ready to cut her long hair, that's a sign!), throwing stuff away, clean and all the things that make us better, more focus, more resolute, with less, much less... Proofs of it are here presented, in the form of photos, after a weekend spent gardening with my mom.







*More of Autumn days here, here and here.

Ain't no freedom here, nor there


Freedom is the freedom to say that two plus two makes four. If that is granted, all else follows?

in 1984

13 September 2014

Pingos de mel

A comer figos da única forma que se deveriam comer: arrancar da árvore e ficar com as mãos e boca cheias de mel.


12 September 2014

Memories of a summer

Unexpected gifts deserve proper treatment... Back to good old photography times!





More here & here & here.

11 September 2014

That/The feeling


Because when I'm with you, there's no place I'd rather be. And you know I'm this kind of girl who always want to be somewhere else...
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